Depois de décadas à beira da extinção, as maiores criaturas que já existiram na Terra estão dando sinais de que estão voltando. Um novo estudo publicado no African Journal of Marine Science (revista científica especializada em ecologia marinha) reuniu mais de 60 anos de registros de avistamentos e encalhes nas costas da Namíbia e da África do Sul e encontrou algo que os cientistas esperavam há muito tempo: o número de baleias-azuis e baleias-fin observadas no Atlântico Sudeste está crescendo.
"Nossos resultados fornecem evidências importantes de que esses gigantes do oceano estão se recuperando lentamente do impacto devastador da caça comercial do século 20, que os empurrou à beira da extinção", afirmou Bridget James, pesquisadora da Universidade de Cape Town (África do Sul) e autora principal do estudo.
O que quase acabou com elas?
Entre 1913 e 1978, a caça comercial de baleias matou aproximadamente 350 mil baleias-azuis e 725 mil baleias-fin em todo o mundo. A caça foi proibida globalmente há mais de 40 anos, mas os efeitos dessa devastação ainda são sentidos: as populações dessas espécies ainda estão muito abaixo do que eram antes.
A baleia-azul é o maior animal que já existiu na Terra — pode chegar a 33 metros de comprimento e pesar até 180 toneladas. A baleia-fin é a segunda maior. Apesar do tamanho, ambas foram caçadas em escala industrial e quase desapareceram.
O que o estudo encontrou?
Os pesquisadores analisaram dados de avistamentos e encalhes registrados entre maio de 1964 e março de 2025. Os números ainda são modestos — 12 avistamentos de baleias-azuis, 1 encalhe e 5 registros publicados; e 76 avistamentos e 6 encalhes de baleias-fin —, mas o padrão é animador: 95% de todas as observações foram registradas a partir de 2012, o que indica uma tendência de aumento recente e consistente.
"Os avistamentos continuam raros, mas estão se tornando mais frequentes do que nas décadas anteriores — e com proteção sustentada, há razões para acreditar que essa recuperação pode continuar", disse James.
Simon Elwen, co-autor do estudo e diretor da organização de pesquisa marinha Sea Search, da Universidade de Stellenbosch (África do Sul), complementou: "À medida que as populações se reconstroem lentamente, esperamos ver essas baleias começando a reocupar partes de sua área histórica. O aumento nos avistamentos é consistente com essa recuperação gradual."
Ainda há muito caminho pela frente
Apesar do otimismo, os cientistas são cautelosos. A baleia-azul ainda é classificada como espécie em perigo de extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, organismo global que monitora o estado de conservação das espécies). A subespécie antártica — a que aparece neste estudo — está na categoria crítica, um nível ainda mais grave.
As baleias continuam ameaçadas por pesca predatória, colisões com navios, poluição sonora e química nos oceanos, e o aquecimento das águas causado pelas mudanças climáticas.
"Essas populações ainda têm um longo caminho a percorrer para alcançar seus números históricos", reconhece James.
Mesmo assim, a tendência de crescimento nos avistamentos é uma das melhores notícias que o oceano tem dado nos últimos anos — e um sinal de que a proteção ambiental, quando mantida por décadas, pode funcionar.