Uma das doenças mais mortais do mundo voltou a assustar o planeta. O Ebola — vírus que causa febre hemorrágica grave e pode matar até metade dos infectados — está se espalhando na República Democrática do Congo (RDC) e no Uganda, na África Central. Desta vez, a cepa responsável pelo surto é a Bundibugyo, para a qual não existe nenhuma vacina aprovada no mundo.
Para tentar mudar esse quadro o mais rápido possível, uma organização internacional chamada CEPI (Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias, entidade global que financia o desenvolvimento de vacinas contra doenças emergentes) anunciou nesta segunda-feira, 1º de junho, um investimento de até US$ 61,8 milhões — cerca de R$ 350 milhões — para acelerar o desenvolvimento de três vacinas experimentais contra o vírus.
O dinheiro vai para três grupos diferentes, cada um usando uma tecnologia distinta:
A empresa americana Moderna, conhecida por sua vacina de mRNA contra a Covid-19, receberá até US$ 50 milhões para testes laboratoriais e o primeiro ensaio clínico em humanos. A tecnologia de mRNA permite criar vacinas muito mais rapidamente do que os métodos tradicionais.
A Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com o Instituto Sero da Índia (maior fabricante de vacinas do mundo), receberá até US$ 8,6 milhões. Eles vão usar a mesma plataforma que deu origem à vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19.
A IAVI (Iniciativa Internacional para Vacinas contra AIDS, organização sem fins lucrativos focada em doenças que afetam países em desenvolvimento) receberá até US$ 3,2 milhões para desenvolver uma vacina baseada na mesma tecnologia já usada em uma vacina aprovada contra outra cepa do Ebola.
Por que isso é urgente?
O surto atual já é o terceiro maior da história causado por vírus da família dos filovírus — a mesma família do Ebola. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), já foram registrados mais de 900 casos suspeitos e mais de 220 mortes suspeitas. A situação é tão grave que tanto a OMS quanto o Africa CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África) declararam emergência de saúde pública.
"Com o vírus Bundibugyo se espalhando rapidamente e sem vacinas autorizadas, cada dia conta na corrida contra essa doença mortal", afirmou Richard Hatchett, diretor-executivo da CEPI.
Quais são os próximos passos?
O objetivo agora é avançar os testes o mais rápido possível. Se os primeiros ensaios em humanos (chamados de Fase 1) mostrarem que as vacinas são seguras, a CEPI pretende financiar testes em larga escala para buscar autorização de uso emergencial — o mesmo caminho percorrido pelas vacinas contra a Covid-19.
A organização também abriu uma chamada pública para que outros grupos científicos apresentem candidatos a vacina. Todos os parceiros envolvidos se comprometeram a garantir que, se as vacinas funcionarem, elas sejam acessíveis e acessíveis financeiramente para os países afetados.