Pela primeira vez na história, menos de 1 em cada 11 adultos nos Estados Unidos fuma cigarro. O índice de tabagismo entre adultos americanos caiu para 9% em 2025 — o menor nível já registrado no país —, segundo dados divulgados nesta semana pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, agência federal responsável pela saúde pública americana).

Para ter ideia do tamanho dessa conquista: nos anos 1960, quase metade da população adulta americana fumava. Eram 42% em meados daquela década. Em seis décadas, esse número caiu mais de quatro vezes.

Como isso foi possível?

A queda não aconteceu por acaso. Ela é resultado de décadas de políticas públicas combinadas: aumento de impostos sobre cigarros, restrições para fumar em locais públicos, campanhas de conscientização nas escolas e na mídia, e uma mudança gradual na forma como a sociedade enxerga o hábito de fumar.

Uma das iniciativas mais eficazes foi a campanha "Tips from Former Smokers" (Dicas de Ex-Fumantes), do próprio CDC, que usava depoimentos reais de pessoas com doenças causadas pelo cigarro. Segundo estimativas, essa campanha sozinha ajudou mais de 1 milhão de americanos a largar o cigarro e economizou mais de US$ 7,3 bilhões em gastos com saúde.

"A queda contínua no tabagismo é uma conquista monumental de saúde pública que salvou milhões de vidas e bilhões em custos com saúde", afirmou Yolonda Richardson, presidente da Campaign for Tobacco-Free Kids (Campanha por Crianças Livres do Tabaco, organização americana de pesquisa e defesa da saúde).

Por que fumar faz tão mal?

O cigarro é considerado a principal causa de morte evitável no mundo. Ele aumenta significativamente o risco de câncer de pulmão, doenças cardíacas e derrames. Cada cigarro a menos na população representa vidas salvas e menos pressão sobre os sistemas de saúde.

E o cigarro eletrônico?

O levantamento também acompanhou o uso de cigarros eletrônicos (vapes) entre adultos. O número vem crescendo nos últimos anos, mas se estabilizou em torno de 7% em 2025 — ainda abaixo do tabagismo tradicional, mas um ponto de atenção para as autoridades de saúde.

A pesquisa foi feita com mais de 24.200 adultos americanos e considera fumante atual quem fumou pelo menos 100 cigarros ao longo da vida e ainda fuma, seja todos os dias ou em alguns dias.